Tsé-Tsé: Um mal com muitos sintomas e pouco tratamento
A população local de uma ampla região, localizada abaixo da linha do Equador “abençoada por Deus e bonita por natureza”, foi infectada com um grave mal que atende pelo codinome de Tsé- Tsé.Doença e sintomas já foram detectados mas o agente transmissor ainda continua uma interrogação.
O principal sintoma desta pandemia é a letargia social, moral e política que ataca a população desprevenida contra os males que se abatem sobre ela própria.
Porém, no presente artigo tentarei apontar, segundo pesquisadores graduados na área, alguns dos prováveis agentes responsáveis pela transmissão e disseminação do Tsé-Tsé.
O contato, talvez, se dê pela embriaguez – não só causada pelo chope dos fins de semana – em que se encontra tal população, provocando visão torpe relativa à questões como a falta de emprego, educação, saúde, moradia e o aumento da criminalidade. Mas um ditado popular – aliás ditados são sempre populares, caso contrário seria uma citação, pensamento filosófico, ou algo do tipo – ainda diz: farinha pouca meu angu primeiro.
Talvez o contágio se tenha dado desde épocas remotas em que um padrão(hospedeiro), que julgava-se superior apesar da moléstia, tenha desembarcado nessas terras e produzido quase 400 anos de tortura física, mental e cultural; ou ainda pela circulação, durante mais de 20 anos, de cidadãos saudáveis, mas considerados de alta periculosidade, em “porões” infectados que se faziam divulgar através do www.ame-ooudeixe-o.br.
O Tsé-Tsé ainda pode ser causado por algum fator Universal do Reino Protista*, que aqui podemos considerar – usando de licença poética – o ópio do povo.
Ou ainda pelos tantos tans e zacs, conhecidos relaxantes sócio-musculares, que uma parcela abastada da população ingere para dormir - o sono dos justos, após ter presenciado um tiroteio, assalto ou ao pensar na calada da noite em como ficou aquele morador de rua após a última chuva que inundou a cidade. Mas nosso órgão de saúde mais rígido adverte: dormiu, já não pelo efeito de um zac ou tan mas pelo Tse-Tsé, o dito que não se sabe de onde vem.
Outra dúvida assola os pesquisadores: seria transmitido e mutado pela acomodação secular em que é mais fácil deixar as coisas como estão do que tomar uma injeção de vergonha na cara? Ou seriam as imposições do sistema econômico que só faz aumentar as diferenças entre aqueles que muito ganham e os que nada ganham, provocando a destruição do nosso sistema imunológico?
Adverte-se ainda que o Tsé-Tsé infecta, de maneira diferente, todas as camadas da população.
Enquanto isso durmo com a consciência tranqüila, pois é tarde trabalhei o dia inteiro, dormirei o sono daqueles que, como eu já estão infectados, nada fazem mas também não atrapalham. Se algum pesquisador graduado na área tiver algo mais a dizer é só entrar em contato através do Na Fronte.
*Protista: Pro(testan) Tistas – Seres unicelulares "eucariontes" (que possuem núcleo individualizado). Seu material genético está organizado nos cromossomos, dentro do núcleo. Representados por protozoários, como a ameba, o tripanossomo, o plasmódio (agente da malária), que até a metade do século XX eram considerados animais primitivos.

